Em um momento que marca uma possível virada na política venezuelana, a presidente interina Delcy Rodríguez surpreendeu a nação ao anunciar, nesta sexta-feira, 30 de janeiro de 2026, uma anistia geral para os presos políticos do país. O anúncio foi feito durante um evento no Tribunal Superior de Justiça, conforme reportado pelo El País, sucursal Venezuela, e a proposta será agora encaminhada à Assembleia Nacional para aprovação.A iniciativa, que visa promover a “convivência na…
Em um momento que marca uma possível virada na política venezuelana, a presidente interina Delcy Rodríguez surpreendeu a nação ao anunciar, nesta sexta-feira, 30 de janeiro de 2026, uma anistia geral para os presos políticos do país. O anúncio foi feito durante um evento no Tribunal Superior de Justiça, conforme reportado pelo El País, sucursal Venezuela, e a proposta será agora encaminhada à Assembleia Nacional para aprovação.
A iniciativa, que visa promover a “convivência na Venezuela“, nas palavras de Delcy, surge após a captura de Maduro por forças dos Estados Unidos em 3 de janeiro, um evento que parece ter aberto caminho para mudanças significativas no cenário político venezuelano.
“Anuncio uma lei de anistia geral e determino que essa lei se leve à Assembleia Nacional para favorecer a convivência na Venezuela” – declarou Delcy Rodríguez.
Desde a captura de Maduro, cerca de 300 a 600 pessoas foram libertadas, um número ainda contestado por defensores dos direitos humanos, que apontam para a necessidade de libertar centenas que ainda permanecem encarceradas.
Helicoide será centro social
Em um gesto simbólico, Delcy também anunciou a transformação do Helicoide, notória prisão associada à repressão política, em um centro de serviços sociais e esportivos para policiais e seus familiares. Uma medida que busca virar a página de um passado sombrio.

Um Olhar Pessoal
Durante seu discurso, Delcy compartilhou um pouco de sua história pessoal, revelando que seu pai foi preso e morreu devido a tortura. Essa experiência, segundo ela, reforça sua crença na Constituição, na soberania nacional e na justiça para o povo venezuelano.
“Meu pai esteve preso, e morreu fruto de tortura. Creio na Constituição. Na soberania nacional. Na justiça ao povo venezuelano. Precisamos de mais justiça, com mais tutela jurídica” – disse Delcy Rodríguez.
A anistia proposta não será irrestrita, excluindo condenados por crimes graves como homicídio e tráfico de drogas. Além disso, visa encerrar processos contra indivíduos já libertados, mas que ainda enfrentam restrições de liberdade.
Apesar do otimismo cauteloso, o El País lembra que o chavismo historicamente utilizou presos políticos como moeda de troca. Embora indultos tenham ocorrido, uma anistia geral não é vista desde 1999, levantando questões sobre a sinceridade e o alcance da medida.
Organizações de direitos humanos e familiares de presos políticos expressam ceticismo, apontando que, apesar das liberações, um número significativo de pessoas ainda permanece detido ou enfrenta medidas judiciais restritivas. A situação dos exilados políticos também permanece incerta.
Resta saber se essa anistia geral representará um novo capítulo para a Venezuela, um passo rumo à reconciliação e ao respeito aos direitos humanos, ou se será apenas mais uma manobra política em um cenário complexo e desafiador.
