Com atuação que atravessa diferentes circuitos da cultura brasileira, a macaense Laís Monteiro vem consolidando uma trajetória marcada por estratégia, sensibilidade e articulação, integrando projetos de dimensão nacional e internacional. Em 2026, ela assume a curadoria e assinatura da lista VIP do Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul, reconhecido como a maior janela de cinema negro da América Latina, reunindo anualmente cineastas, filmes debates profissionais do setor em torno de…
Com atuação que atravessa diferentes circuitos da cultura brasileira, a macaense Laís Monteiro vem consolidando uma trajetória marcada por estratégia, sensibilidade e articulação, integrando projetos de dimensão nacional e internacional. Em 2026, ela assume a curadoria e assinatura da lista VIP do Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul, reconhecido como a maior janela de cinema negro da América Latina, reunindo anualmente cineastas, filmes debates profissionais do setor em torno de narrativas que ampliam a presença e o protagonismo de pessoas negras no audiovisual. A cerimônia de abertura acontece na noite de quarta-feira (8), no Cine Odeon, no Rio de Janeiro reunindo cineastas negros de diversas partes do mundo, e o festival será realizado de 9 a 17 de Abril.
Ao compor a curadoria de convidados para um evento dessa dimensão, a macaense amplia sua atuação em circuitos culturais de alcance nacional e internacional, sem perder de vista sua origem e os caminhos que construiu. Sua proposta é reunir pessoas que constroem, consomem e valorizam o cinema negro, criando um ambiente que vá além da exibição. Quero que seja um espaço de conexão, alegria e celebração, comenta.
O convite partiu da produção do evento e marca um momento significativo em sua trajetória profissional, consolidando sua atuação na construção estratégica de público e articulação. Além da atuação prática, Laís também observa o crescimento das produções cinematográficas e bilheterias brasileiras nos últimos anos, impulsionado por políticas de incentivo fundamentais para o fortalecimento do setor, além do desejo coletivo por reconhecimento. Para ela, iniciativas como o Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul são essenciais para ampliar o acesso, a visibilidade do cinema negro no país.
Jornalista, assessora, rp e produtora cultural, também conhecida como Preta Assessora, sua atuação se destaca pela capacidade de conectar projetos, artistas e público de forma consistente e estratégica. As pessoas querem se ver seja nas telas ou em qualquer outro projeto, o crescimento da indústria é reflexo da construção de narrativas que perpassam a vivência da população de forma geral, afirma.
Com mais de 16 anos de atuação em assessoria e mais de uma década dedicada à assessoria artística, construiu uma rede sólida que sustenta seu olhar sensível e estratégico. Ao longo desse percurso, esteve ao lado de nomes como Yuri Marçal, Rei Black, Vitória Rodrigues, Bruna Braga e Jesuton, além de projetos culturais de grande relevância no cenário nacional.
Entre eles, o Corpo Negro Indígena, do Sesc Rio, considerado um dos maiores festivais de dança negra do Brasil, e o Encontro das Pretas, no Espírito Santo, reconhecido como um dos principais eventos de cultura preta do país.
Um marco importante em sua trajetória foi o início na assessoria artística ao lado da Confraria do Impossível, seu primeiro cliente na área. A experiência, construída no dia a dia do trabalho, é apontada por Laís como fundamental em sua formação profissional e pessoal.
Moradora de comunidade rural de Macaé, Laís construiu sua caminhada na comunicação a partir da prática, das relações e de um olhar atento aos territórios por onde circula. Fundadora da Monteiro Assessoria e vencedora do Prêmio Olga Neme de Empreendedorismo, também possui o Selo de Empreendedorismo Sustentável da Shell Brasil, além de atuar como professora de comunicação e desenvolver projetos culturais que conectam arte, território e experiência.
Entre seus trabalhos autorais estão o Festival da Preta e o Festival Erê, a direção de produção do documentário Botecar Macaé, histórias de balcão e da criação do curso Divulgar Artista. Em 2025, realizou o Festival da Preta, reunindo cerca de 400 pessoas e levando aproximadamente 20 artistas de diferentes regiões do Brasil e também do cenário internacional para conhecer a cultura negra de Macaé.
Mais do que um evento, o festival promoveu uma movimentação cultural significativa na cidade, fortalecendo o turismo, a economia local e criando um espaço de celebração da cultura preta em liberdade. Foi um momento em que pessoas negras puderam viver com alegria, consumir arte em que se reconhecem e ocupar um espaço pensado para elas. Ver essa felicidade acontecendo é muito potente, destaca.
A experiência também evidenciou sua capacidade de articulação em conectar territórios, artistas e público, um dos pilares que agora leva para o Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul.
