Em meio ao crescente universo do marketing de influência, uma investigação da Revista Oeste revelou um esquema de contratos sigilosos envolvendo influenciadores digitais e a empresa Miranda Comunicações, supostamente a serviço do Banco Master. A proposta? A divulgação de conteúdos políticos e financeiros sob rigorosa confidencialidade, com valores que poderiam alcançar cifras milionárias. A notícia veio à tona nesta terça-feira, 06 de janeiro de 2026.A abordagem, no mínimo…
Em meio ao crescente universo do marketing de influência, uma investigação da Revista Oeste revelou um esquema de contratos sigilosos envolvendo influenciadores digitais e a empresa Miranda Comunicações, supostamente a serviço do Banco Master. A proposta? A divulgação de conteúdos políticos e financeiros sob rigorosa confidencialidade, com valores que poderiam alcançar cifras milionárias. A notícia veio à tona nesta terça-feira, 06 de janeiro de 2026.
A abordagem, no mínimo controversa, exigia a assinatura de termos de confidencialidade antes mesmo da revelação dos detalhes do cliente, uma prática que levantou suspeitas imediatas entre os influenciadores procurados. Um dos contatos relatou à Revista Oeste que recusou a proposta assim que percebeu a exigência de segredo em torno do conteúdo a ser divulgado.
O Elo com o Banco Master
A investigação aponta para Daniel Vorcaro, do Banco Master, como o cliente por trás da Miranda Comunicações. Embora seu nome não figure formalmente nos contratos, Vorcaro é identificado como “o cliente” nas comunicações privadas com os influenciadores. A Revista Oeste tentou contato com o Banco Master, mas não obteve resposta até o momento.
Entre os influenciadores mencionados como clientes da Miranda Comunicações está Firmino Cortada, que, em contato com a reportagem, confirmou ter recebido a proposta, mas negou qualquer vínculo com o Banco Master.
“Todas as minhas postagens são autênticas, realizadas de forma independente, sem interferência, orientação ou contraprestação de terceiros” – garantiu Cortada.
Outra influenciadora citada, Carol Dias, também negou ter qualquer contrato com a agência. A reportagem da Revista Oeste segue buscando contato com Paulo Cardoso e Marcelo Rennó, outros nomes listados pelo agenciador como modelos de estilo para as futuras publicações.
Um dos contratos obtidos pela reportagem revela cláusulas que, apesar de garantirem formalmente a liberdade editorial do influenciador, impõem uma série de exigências que a colocam em xeque. Entre elas, a obrigação de seguir diretrizes e materiais de pauta fornecidos pela contratante, a necessidade de validação prévia do conteúdo antes da publicação e a possibilidade de substituição de pautas em caso de “divergência editorial relevante”.
Riscos Jurídicos e Éticos
Juristas consultados pela Revista Oeste alertam para os riscos jurídicos da prática. Embora a contratação de influenciadores não seja ilegal em si, a ausência de identificação clara de conteúdo patrocinado pode configurar publicidade enganosa por omissão, em desacordo com o Código de Defesa do Consumidor e com as regras das plataformas digitais. No caso de jornalistas, a prática pode violar o Código de Ética da categoria, que proíbe subordinar a informação a interesses econômicos e exige a revelação de conflitos de interesse relevantes.
Além disso, plataformas como Instagram, YouTube e X determinam expressamente que conteúdos pagos devem ser identificados como publicidade ou parceria patrocinada. A ocultação deliberada desse vínculo pode resultar em sanções administrativas, além de ampliar a responsabilização civil e, em cenários extremos, penal.
A polêmica reacende o debate sobre a necessidade de maior transparência e regulamentação no marketing de influência, um mercado em constante crescimento e que movimenta bilhões de reais em todo o mundo.
