Escândalo no Rioprevidência: Presidente Afastado Após Operação da PF!

 Na última sexta-feira, 23 de janeiro de 2026, o RioPrevidência, Regime Próprio de Previdência Social do Rio de Janeiro, foi palco de uma reviravolta. Deivis Marcon Antunes, que até então liderava a instituição, foi exonerado do cargo após ser diretamente envolvido em mandados de busca e apreensão da Polícia Federal (PF). A decisão foi formalizada por Cláudio Castro, governador do Rio de Janeiro, no mesmo dia em que a Operação Barco de Papel foi deflagrada.A Operação Barco de… 

Na última sexta-feira, 23 de janeiro de 2026, o RioPrevidência, Regime Próprio de Previdência Social do Rio de Janeiro, foi palco de uma reviravolta. Deivis Marcon Antunes, que até então liderava a instituição, foi exonerado do cargo após ser diretamente envolvido em mandados de busca e apreensão da Polícia Federal (PF). A decisão foi formalizada por Cláudio Castro, governador do Rio de Janeiro, no mesmo dia em que a Operação Barco de Papel foi deflagrada.

A Operação Barco de Papel da Polícia Federal investiga a fundo os investimentos feitos pelo Rioprevidência em fundos associados ao Banco Master, que enfrenta um processo de liquidação extrajudicial. O banco em questão teve sua insolvência decretada após o Banco Central detectar fortes indícios de irregularidades e suspeitas de fraude.

As investigações da PF apontam para nove operações financeiras realizadas entre novembro de 2023 e julho de 2024, totalizando cerca de R$ 970 milhões aplicados em letras financeiras emitidas por uma instituição privada. Os investigadores acreditam que essas operações colocaram o patrimônio do Rioprevidência em riscos elevados, incompatíveis com a finalidade da autarquia previdenciária.

Deivis Marcon Antunes, em sua defesa, alega ter solicitado o afastamento do cargo por iniciativa própria, apresentando uma carta ao governo estadual. Segundo ele, a decisão visava preservar a integridade e a transparência do processo investigativo. No entanto, o governo do Rio sustenta que a exoneração foi determinada pela gestão estadual, que já estava apurando os fatos desde dezembro por meio da Controladoria-Geral do Estado.

O que está em jogo?

O Rioprevidência é responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de aproximadamente 235 mil servidores públicos estaduais e seus dependentes. Dados apresentados ao Tribunal de Contas revelam que, nos últimos anos, o fundo expôs cerca de R$ 2,5 bilhões — aproximadamente 25% de seus recursos aplicados — a ativos administrados pelo conglomerado ligado ao Banco Master.

Durante a operação, agentes da PF cumpriram quatro mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro, inclusive na residência de Deivis Marcon Antunes, localizada no bairro de Botafogo. No momento da ação, o presidente estava em viagem aos Estados Unidos, em período de férias programadas desde novembro de 2025, conforme informou sua defesa.

A operação também teve como alvos ex-diretores da área de investimentos do Rioprevidência. Em um dos endereços, a PF apreendeu dinheiro em espécie, cujo proprietário alegou que o valor seria destinado ao pagamento de uma obra residencial.

Segundo a PF, o nome da operação, Barco de Papel, faz alusão a investimentos de alto risco e baixo lastro, comparando esses ativos a um “barco de papel”: fáceis de adquirir e aparentemente atrativos, mas frágeis diante de condições adversas do mercado.

Todos os investimentos observaram a legislação vigente” – afirmou o Rioprevidência, em nota.

O Rioprevidência também informou que uma decisão judicial, tomada em dezembro de 2025, determinou a retenção de cerca de R$ 970 milhões, acrescidos de juros e correção monetária, como forma de proteger o patrimônio previdenciário. A autarquia garantiu que os recursos já estão sendo recuperados e que o calendário de pagamentos aos segurados segue sem alterações.

Enquanto as investigações seguem em curso, a presidência do Rioprevidência será exercida interinamente pelo diretor de Administração e Finanças, conforme previsto no regimento interno do órgão.