Empregos em risco: Cortes previstos em setores-chave até 2026

 O mercado de trabalho no Brasil, que vinha mostrando sinais de recuperação, enfrenta um novo desafio. Um estudo recente da FGV (Fundação Getúlio Vargas) aponta para um cenário de cortes de vagas em setores cruciais como indústria, construção e comércio. A projeção é de que, até o final de 2026, cerca de 34 mil profissionais com ensino superior percam seus empregos.
A pesquisa da FGV aponta que a desaceleração da atividade econômica, combinada com a manutenção de altas taxas… 

O mercado de trabalho no Brasil, que vinha mostrando sinais de recuperação, enfrenta um novo desafio. Um estudo recente da FGV (Fundação Getúlio Vargas) aponta para um cenário de cortes de vagas em setores cruciais como indústria, construção e comércio. A projeção é de que, até o final de 2026, cerca de 34 mil profissionais com ensino superior percam seus empregos.

A pesquisa da FGV aponta que a desaceleração da atividade econômica, combinada com a manutenção de altas taxas de juros, cria um ambiente desfavorável para a geração de empregos. Em 2025, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) já havia indicado a criação de 1.279.498 postos formais de trabalho, mas a tendência é de arrefecimento.

O que considerar ao pedir demissão

Em contrapartida, dados da 4intelligence revelam que, entre outubro de 2024 e outubro de 2025, aproximadamente nove milhões de pessoas pediram demissão voluntariamente. Esse movimento, impulsionado pela busca de melhores salários, benefícios e condições de trabalho mais flexíveis, reflete um mercado aquecido onde os trabalhadores se sentem mais confiantes para buscar novas oportunidades.

Para aqueles que estão considerando pedir demissão, o advogado Marcel Zangiácomo oferece um conselho importante:

Não há um “melhor dia universal” para pedir demissão. O que pode influenciar são alguns marcos legais, como ter trabalhado pelo menos 15 dias no mês ou completar período de férias” – afirmou o advogado Marcel Zangiácomo ao comentar sobre os direitos do trabalhador.

É crucial estar atento ao aviso prévio, como destaca o advogado Leandro Bocchi:

O funcionário deve conceder o período ao seu empregador e, caso não cumpra, o valor correspondente poderá ser descontado” – explicou o advogado Leandro Bocchi.

A lei exige um aviso mínimo de 30 dias, a menos que haja um acordo diferente com o empregador.

A gerente administrativa Letícia Peruzzo, de 41 anos, compartilhou sua experiência ao pedir demissão em busca de melhores oportunidades:

Pedi demissão porque estou em busca de um salário melhor e benefícios, além de uma empresa maior. Sou gerente administrativa em uma clínica de terapias infantis e não recebo benefício nenhum, apenas o meu salário. Isso é uma coisa que pesou e que vem pesando” – contou Letícia Peruzzo sobre sua decisão.

Ela também mencionou o planejamento cuidadoso para maximizar suas verbas rescisórias, demonstrando a importância de se preparar financeiramente para a transição.

Em dezembro de 2025, a taxa de desemprego atingiu o menor nível desde 2012, chegando a 5,1%. Samuel Barros, reitor do Ibmec Rio de Janeiro, observa que esse cenário de aquecimento do mercado gera confiança nos trabalhadores para buscarem novas oportunidades, impulsionando o volume de demissões voluntárias.

O que invoca o aumento do volume de demissões voluntárias é o mercado ter a possibilidade de absorver essas pessoas que pediram demissão. Isso gera confiança para que esse trabalhador troque de oportunidade” – disse Samuel Barros, reitor do Ibmec Rio de Janeiro.

Diante desse panorama, é fundamental que os profissionais estejam atentos às tendências do mercado, busquem qualificação e planejem suas carreiras de forma estratégica. A aparente contradição entre o alto número de demissões voluntárias e a previsão de cortes de vagas ressalta a importância de se manter informado e preparado para os desafios que virão.