CPMI do INSS: Filho de investigado se cala e sessão vira palco de tensões

 Na última quinta-feira, a CPMI do INSS foi palco de um depoimento tenso e de discussões acaloradas. Paulo Camisotti, filho de Maurício Camisotti, preso por acusações de fraude contra aposentados e ex-sócio de Carlos Antônio Antunes Camilo, conhecido como “Careca do INSS”, compareceu à comissão amparado por um habeas corpus concedido pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). Esse documento lhe garantia o direito de permanecer em silêncio diante de perguntas que… 

Na última quinta-feira, a CPMI do INSS foi palco de um depoimento tenso e de discussões acaloradas. Paulo Camisotti, filho de Maurício Camisotti, preso por acusações de fraude contra aposentados e ex-sócio de Carlos Antônio Antunes Camilo, conhecido como “Careca do INSS”, compareceu à comissão amparado por um habeas corpus concedido pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). Esse documento lhe garantia o direito de permanecer em silêncio diante de perguntas que pudessem incriminá-lo.

O depoimento, conduzido pelo relator Alfredo Gaspar (União-AL), logo se mostrou improdutivo. Paulo Camisotti esquivou-se da maioria das perguntas, inclusive daquelas sobre informações de conhecimento público, como o paradeiro de seu pai. O silêncio de Camisotti frustrou as expectativas da comissão, que buscava esclarecimentos sobre o esquema de fraudes.

Depoimentos cancelados e clima tenso

Além do depoimento de Paulo Camisotti, outros dois depoimentos previstos para o mesmo dia foram cancelados. O deputado estadual Edson Cunha também obteve habeas corpus, enquanto o empresário Cecílio Galvão alegou compromissos pessoais para justificar sua ausência. Diante dos desfalques, o presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), manifestou sua determinação em realizar os depoimentos, inclusive cogitando a possibilidade de condução coercitiva, se necessário.

O clima na CPMI já estava tenso, mas a situação se agravou durante a votação dos requerimentos que envolviam a quebra de sigilos de Lulinha. A aprovação dos requerimentos gerou um confronto direto entre os parlamentares. O deputado Rogério Correia (PT-MG) chegou a confrontar a mesa da presidência, elevando a tensão no ambiente.

Após a acalorada discussão, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) questionou a legalidade da contagem dos votos, alegando que o presidente da CPMI havia declarado um resultado incorreto:

Eu requeiro a vossa excelência que anule o resultado por erro material da contagem e que vossa excelência anuncie o resultado verdadeiro, baseado nas imagens, nas fotos” – declarou o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) na comissão.

Pimenta ainda ameaçou levar o caso ao presidente do Congresso Nacional e ao Conselho de Ética, caso sua solicitação não fosse atendida.

Em resposta, o senador Carlos Viana assegurou que a votação seguiu rigorosamente o regimento interno e que a situação estava superada.

E a mesma regra que eles me impuseram logo no início da sessão” – acrescentou.

Viana enfatizou que a quebra de sigilo estava mantida e que o resultado da votação era válido.

A CPMI do INSS, que já vinha sendo marcada por tensões e discussões, promete continuar gerando debates acalorados e reviravoltas nas próximas semanas. Resta saber se a comissão conseguirá superar os obstáculos e cumprir seu objetivo de investigar as fraudes contra a Previdência Social.