Nos bastidores do sistema financeiro, uma operação bilionária chamou a atenção: o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) concedeu R$ 4,3 bilhões em assistência financeira ao problemático conglomerado Master, liderado por Daniel Vorcaro, nos meses que antecederam a sua liquidação extrajudicial pelo Banco Central (BC). A informação foi divulgada pela CNN, com base em documentos obtidos pela emissora.Essa injeção de recursos, realizada entre 5 de maio e 1º de outubro de 2025, teve um…
Nos bastidores do sistema financeiro, uma operação bilionária chamou a atenção: o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) concedeu R$ 4,3 bilhões em assistência financeira ao problemático conglomerado Master, liderado por Daniel Vorcaro, nos meses que antecederam a sua liquidação extrajudicial pelo Banco Central (BC). A informação foi divulgada pela CNN, com base em documentos obtidos pela emissora.
Essa injeção de recursos, realizada entre 5 de maio e 1º de outubro de 2025, teve um destino específico: quitar instrumentos que, em caso de intervenção, acionariam a cobertura do próprio fundo. A estratégia visava, em teoria, viabilizar uma reorganização societária e uma saída menos traumática do mercado para o grupo.
Contudo, a realidade se mostrou mais desafiadora. Apesar do esforço, o grupo Master conseguiu captar apenas R$ 90,2 milhões no período, um valor muito abaixo do necessário para reverter sua situação financeira.
O fluxo dos recursos
Na prática, os valores liberados pelo FGC foram integralmente direcionados ao pagamento de títulos cobertos pela garantia do fundo, cujo limite é de R$ 250 mil por investidor. Essa manobra é permitida pelo estatuto da entidade, desde que o objetivo seja proteger depositantes, prevenir crises sistêmicas ou preservar a estabilidade do Sistema Financeiro Nacional.

A área técnica do BC avaliou que, apesar de não terem prosperado soluções de mercado, houve redução do custo potencial tanto para o fundo quanto para a sociedade ao longo do processo. A exposição do FGC, que inicialmente era de R$ 51 bilhões, caiu para cerca de R$ 40 bilhões, considerando um cenário de desembolso efetivo no regime especial.
Plano de recuperação
Em um esforço derradeiro, o Banco Master apresentou um novo plano ao Banco Central em 21 de setembro, buscando recompor os compulsórios em até 180 dias. A proposta incluía a venda integral do Master Múltiplo e da Will Financeira, a entrada de investidores no Letsbank, reestruturação de custos, acordo operacional com o BRB, aporte de investidores estrangeiros, liquidação privada de ativos com apoio do FGC e destinação de direitos creditórios do controlador ao banco.
Dois dias depois, o FGC sinalizou ao Banco Master que poderia avaliar a ampliação da linha de assistência, desde que houvesse um plano concreto e viável de saída do mercado. As negociações avançaram e, em 7 de outubro, o fundo decidiu estender a assistência exclusivamente à Will Financeira, além de flexibilizar parte das condições pactuadas anteriormente.

Liquidação e o maior resgate da história do FGC
Apesar dos esforços, a ajuda não foi suficiente para reverter o quadro de iliquidez do conglomerado. Diante disso, o Banco Central concluiu que a liquidação extrajudicial era a alternativa mais adequada para preservar o funcionamento do sistema financeiro. Quando a intervenção foi decretada, em 18 de novembro, o Banco Master tinha apenas R$ 4,8 milhões em caixa livre aplicado em títulos públicos federais, frente a vencimentos imediatos de Certificados de Depósito Bancário que somavam R$ 48,6 milhões.
Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) concluiu que a atuação do Banco Central esteve dentro dos parâmetros esperados, considerando a liquidação como uma medida necessária, respaldada na legislação e em fundamentos técnicos.

Desde o fim de 2024, o BC já liquidou nove instituições associadas a Vorcaro. Com isso, o FGC deverá desembolsar mais de R$ 50 bilhões para honrar credores o maior resgate da história do fundo.
