A censura no Brasil parece não dar trégua. Nesta sexta-feira, o site Poder360 reportou ter sido obrigado pela Justiça da Bahia a remover o nome de uma delegada envolvida em um possível caso de conflito de interesses. A matéria original, publicada em 28 de dezembro de 2025, detalhava como a “Delegada da Bahia investiga caso em que seu advogado é parte”, mas agora, o nome da servidora foi sumariamente retirado do ar.Em um ato de protesto contra a proibição de mencionar o nome da…
A censura no Brasil parece não dar trégua. Nesta sexta-feira, o site Poder360 reportou ter sido obrigado pela Justiça da Bahia a remover o nome de uma delegada envolvida em um possível caso de conflito de interesses. A matéria original, publicada em 28 de dezembro de 2025, detalhava como a “Delegada da Bahia investiga caso em que seu advogado é parte”, mas agora, o nome da servidora foi sumariamente retirado do ar.
Em um ato de protesto contra a proibição de mencionar o nome da funcionária pública, o Poder360 atualizou o texto censurado, substituindo o nome vetado pela mensagem: “Nome removido em 16 de março de 2023 por decisão liminar da Justiça da Bahia”.
O portal alega que a ordem de remoção do nome da delegada ocorreu sem que a empresa de comunicação fosse sequer ouvida pelas autoridades. Em defesa de sua reportagem, o Poder360 argumenta que o texto se limitava a narrar os fatos: uma delegada da Bahia conduzindo a investigação de uma suspeita de violência doméstica apresentada pelo advogado Nestor Távora. O ponto crucial é que Távora, no passado, defendeu a própria delegada em uma ação judicial que a permitiu ser nomeada ao cargo que hoje ocupa. Essa conexão pregressa entre a delegada e o advogado gerou questionamentos por parte de uma das partes envolvidas, e a reportagem apenas narrava esses fatos, sem emitir juízo de valor.
Outros Casos de Censura no Brasil
Infelizmente, o Poder360 não está sozinho nessa batalha contra a censura. Recentemente, a Justiça do Maranhão ordenou a remoção de uma reportagem do site do jornalista Luís Pablo, que noticiava a entrega de uma “mochila misteriosa” na residência oficial do vice-governador do Maranhão, Felipe Camarão (PT).

E como se não bastasse a censura judicial, Luís Pablo também foi alvo de uma medida drástica: o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou à Polícia Federal (PF) que cumprisse um mandado de busca e apreensão em sua residência, sob a alegação de “perseguição” contra o ministro Flávio Dino. Essa ação gerou críticas e indignação, tanto no Brasil quanto no exterior. Entidades como a Sociedade Interamericana de Imprensa e o Comitê para Proteção de Jornalistas manifestaram preocupação com a liberdade de imprensa e o sigilo da fonte, direitos assegurados pela Constituição Brasileira.
Essa escalada de eventos nos faz questionar: até onde vai a censura no Brasil? E como podemos proteger a liberdade de imprensa em um cenário tão conturbado?
