A tensão política em Pernambuco atinge um novo patamar com a decisão do ministro Gilmar Mendes, do STF, de suspender uma operação da Polícia Civil que supostamente monitorava aliados do prefeito do Recife, João Campos. A medida, tomada em meio a crescentes críticas ao tribunal e divergências internas sobre o código de conduta, reacende o debate sobre os limites da atuação policial em período eleitoral.O caso ganhou destaque após uma reportagem da TV Record revelar que agentes da…
A tensão política em Pernambuco atinge um novo patamar com a decisão do ministro Gilmar Mendes, do STF, de suspender uma operação da Polícia Civil que supostamente monitorava aliados do prefeito do Recife, João Campos. A medida, tomada em meio a crescentes críticas ao tribunal e divergências internas sobre o código de conduta, reacende o debate sobre os limites da atuação policial em período eleitoral.
O caso ganhou destaque após uma reportagem da TV Record revelar que agentes da Polícia Civil de Pernambuco seguiram o carro do secretário municipal Gustavo Monteiro e de seu irmão, Eduardo, instalando um rastreador no veículo enquanto Eduardo fazia compras em um mercado no Recife em setembro do ano passado.
A defesa de Campos alega que a ação visava o “rastreamento e ao reconhecimento facial” de seus aliados, com foco especial no secretário de Articulação Política e Social e seus familiares.
Decisão de Gilmar Mendes
Em sua decisão, Gilmar Mendes foi enfático ao criticar o uso de instrumentos técnicos de vigilância com finalidade política sem controle judicial.
“A utilização de instrumentos técnicos de vigilância com finalidade política, dissociada de qualquer controle judicial, representa não apenas um desvio funcional, mas uma afronta direta aos preceitos fundamentais de inviolabilidade da intimidade, da legalidade, da impessoalidade e da igualdade de condição em disputa eleitoral” – diz o despacho de Gilmar.
O ministro classificou a ação como uma afronta aos princípios constitucionais, levantando sérias questões sobre a legalidade e a ética das operações policiais em curso.
Resposta da Polícia Civil e da Prefeitura do Recife
Em resposta à reportagem, a Polícia Civil de Pernambuco alegou que a operação, denominada Nova Missão, foi deflagrada após uma denúncia anônima de suposto pagamento de propina a um servidor público do Recife. No entanto, a investigação não encontrou evidências que justificassem a abertura de um inquérito. As autoridades negam qualquer irregularidade no procedimento.
Por outro lado, a prefeitura do Recife classificou a atuação dos policiais como ilegal, inconstitucional e imoral, denunciando um possível uso eleitoral da Polícia Civil por parte do governo estadual.
Contexto Político e Eleitoral
A disputa entre a governadora Raquel Lyra e o prefeito João Campos é um dos pontos centrais dessa polêmica. Ambos são pré-candidatos ao governo de Pernambuco nas eleições de 2026 e buscam o apoio do presidente Lula na disputa.
Embora a decisão de Gilmar Mendes não atribua responsabilidade direta às altas autoridades do Poder Executivo estadual, o ministro pontuou que os alvos do suposto monitoramento ilegal são ligados ao núcleo político do principal adversário da atual governadora.
A decisão do ministro Gilmar Mendes lança uma sombra de dúvida sobre a lisura do processo eleitoral em Pernambuco e exige uma investigação rigorosa para apurar as responsabilidades e garantir a imparcialidade das instituições. A população pernambucana merece um pleito limpo e transparente, livre de interferências políticas e abusos de poder.
