Suposto favorecimento de Moraes ao Banco Master gera polêmica

 A recente controvérsia envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o Banco Master ganhou novos contornos com a divulgação de informações sobre seus contatos com Gabriel Galípolo, na época em que este integrava o Banco Central. Segundo apurações, Moraes teria procurado Galípolo em pelo menos quatro ocasiões para tratar de assuntos de interesse do Banco Master, levantando questionamentos sobre possível conflito de interesses.De acordo com registros, os contatos incluíram três… 

A recente controvérsia envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o Banco Master ganhou novos contornos com a divulgação de informações sobre seus contatos com Gabriel Galípolo, na época em que este integrava o Banco Central. Segundo apurações, Moraes teria procurado Galípolo em pelo menos quatro ocasiões para tratar de assuntos de interesse do Banco Master, levantando questionamentos sobre possível conflito de interesses.

De acordo com registros, os contatos incluíram três telefonemas e ao menos uma reunião presencial. Moraes justificou as abordagens como relacionadas a questões da Lei Magnitsky, negando que o escritório de Viviane Barci de Moraes tenha atuado na operação de compra do Master pelo BRB. No entanto, a situação reacende o debate sobre a proximidade entre figuras do poder e interesses privados.

Investigação e registros oficiais

A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), ao ser consultada via Lei de Acesso à Informação, informou não haver registros de visitas de Viviane Barci de Moraes às suas dependências entre janeiro de 2024 e dezembro de 2025. Essa informação corrobora dados divulgados pela colunista Malu Gaspar, que indicam que nem o Banco Central nem o Cade possuem registros de acesso da advogada, apesar de sua atuação prevista em contrato.

O Banco Central foi o responsável pela análise da compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), uma transação de R$ 12 bilhões que acabou sendo barrada em setembro do ano anterior. A Justiça Federal em Brasília chegou a classificar a negociação como resultado de “pura camaradagem”. O Cade, por sua vez, afirmou que nem Viviane Barci de Moraes nem representantes de seu escritório participaram de reuniões para tratar da aquisição ou de outros temas ligados ao Master desde janeiro de 2024.

Paulo Gonet, reconduzido ao cargo de procurador-geral da República com o apoio de Moraes, recebeu ao menos dois pedidos para investigar a atuação do ministro em favor do Banco Master. Um dos pedidos, feito pelo advogado Enio Martins Murad, foi rejeitado no mês passado. Gonet argumentou que a “narrativa” sobre a suposta pressão de Moraes permanece “no campo das suposições” e declarou não haver “qualquer ilicitude” no contrato entre Viviane Barci de Moraes e o Banco Master.

A situação continua a gerar debates e questionamentos sobre a ética e a transparência nas relações entre o setor público e o privado, especialmente em transações financeiras de grande porte.