O ano é 2026, e o futebol brasileiro se prepara para mais uma temporada de campeonatos estaduais, com início já no dia 6 de janeiro. Em meio a desafios financeiros e a uma crescente desvalorização, os torneios buscam resgatar o prestígio perdido e reacender a paixão nos torcedores. Mas será que os estaduais ainda importam?
A Crise de Público e a Busca por Soluções
Nos últimos anos, a presença de público nos estádios tem diminuído, impactando diretamente a arrecadação dos…
O ano é 2026, e o futebol brasileiro se prepara para mais uma temporada de campeonatos estaduais, com início já no dia 6 de janeiro. Em meio a desafios financeiros e a uma crescente desvalorização, os torneios buscam resgatar o prestígio perdido e reacender a paixão nos torcedores. Mas será que os estaduais ainda importam?
A Crise de Público e a Busca por Soluções
Nos últimos anos, a presença de público nos estádios tem diminuído, impactando diretamente a arrecadação dos clubes. O Campeonato Carioca de 2025, por exemplo, registrou uma média de apenas 8.468 pagantes. Em Minas Gerais, a média foi ainda menor, com 7.070 torcedores, liderada por Atlético e Cruzeiro. São Paulo se destacou com 12.398 pagantes por jogo, mas ainda assim, os valores não se comparam à média de 25.531 do Brasileirão 2025, que vendeu 9,7 milhões de ingressos.
A queda na arrecadação com bilheteria tem levado os clubes a repensarem suas estratégias. Os altos investimentos e as folhas salariais cada vez maiores exigem novas fontes de receita. Além disso, a redução nas premiações também preocupa. Nos últimos quatro anos, o campeão do Cariocão não recebeu nenhuma premiação em dinheiro, apenas as cotas de TV.
Para 2026, a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FERJ) propôs uma mudança na forma de distribuição dos recursos. Setenta por cento dos ganhos serão fixos, enquanto o restante será distribuído de acordo com o desempenho na competição. O vencedor do torneio vai levar R$ 10 milhões. Embora a quantia total seja a mesma, a nova fórmula busca incentivar a competitividade e valorizar o mérito esportivo.
Ainda assim, a premiação está bem distante dos R$ 77 milhões que o Corinthians faturou ao vencer a última Copa do Brasil. A disparidade nos valores evidencia a necessidade de os estaduais se reinventarem para atrair mais investimentos e recuperar sua relevância.
O Desinteresse e a Busca Pelo Protagonismo
Além dos problemas financeiros, o caráter esportivo dos campeonatos estaduais também parece ter perdido valor ao longo dos anos. Se antes vencer o estadual era motivo de grande orgulho para muitos clubes, hoje a conquista regional não possui o mesmo prestígio. Com o futebol cada vez mais caro, os clubes mais poderosos do país passaram a mirar competições de maior visibilidade e retorno financeiro.
Não é raro ver treinadores campeões sendo demitidos pouco tempo depois de levantarem o troféu estadual. No ano passado, Cuca venceu o Campeonato Mineiro com o Atlético, mas foi demitido em agosto. Ramón Diaz, campeão paulista com o Corinthians, foi demitido apenas 21 dias após a conquista.
Apesar da desvalorização, todo torcedor gosta de ver seu clube campeão, principalmente em um confronto direto contra um rival local. Quem não se lembra do Corinthians de 77, da “moeda de pé” do São Paulo de 1943, do fim do jejum palmeirense em 1993, do gol de barriga de Renato Gaúcho e da falta de Petkovic nos acréscimos? São momentos que ficam marcados na memória dos torcedores e mostram que os estaduais ainda têm um valor simbólico importante.
Seja pela nostalgia ou pela dificuldade em adequar o calendário, os campeonatos estaduais seguem vivos no calendário brasileiro. Resta saber se, em 2026, eles conseguirão se reinventar e reconquistar o coração dos torcedores.
Datas de Início dos Estaduais 2026
- 6 de janeiro: Catarinense, Cearense e Paranaense
- 10 de janeiro: Alagoano, Amazonense, Baiano, Brasiliense, Gaúcho, Goiano, Maranhense, Mato-Grossense, Mineiro, Paulista, Pernambucano, Piauiense, Potiguar e Sergipano
- 11 de janeiro: Carioca
- 12 de janeiro: Acreano
- 14 de janeiro: Capixaba
- 17 de janeiro: Paraibano, Rondoniense e Tocantinense
- 18 de janeiro: Sul-Mato-Grossense
- 24 de janeiro: Paraense e Roraimense
- 7 de fevereiro: Amapaense
