Críticas internas no PT: Quaquá é contestado por falas polêmicas

 A declaração recente de Quaquá em defesa da Operação Contenção, ação policial que resultou em mais de 120 mortes nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, gerou forte reação dentro do PT. A fala, proferida em um seminário sobre segurança pública, onde Quaquá afirmou que “a polícia do Rio só matou ali otário, vagabundo, bandido”, foi considerada uma legitimação da violência estatal e um alinhamento com a lógica de extermínio da juventude negra e periférica.A 

A declaração recente de Quaquá em defesa da Operação Contenção, ação policial que resultou em mais de 120 mortes nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, gerou forte reação dentro do PT. A fala, proferida em um seminário sobre segurança pública, onde Quaquá afirmou que “a polícia do Rio só matou ali otário, vagabundo, bandido”, foi considerada uma legitimação da violência estatal e um alinhamento com a lógica de extermínio da juventude negra e periférica.

A juventude petista não deixou barato. Elaborou uma moção interna questionando a postura do dirigente, argumentando que suas declarações afrontam as diretrizes históricas do partido. Para eles, o episódio não é isolado, mas parte de uma escalada de posicionamentos controversos por parte de Quaquá, sem que as instâncias internas do partido tenham tomado as devidas providências.

Outras controvérsias

A moção cita outros episódios que geraram desconforto, como a relação pública mantida por Quaquá com o general Eduardo Pazuello durante a pandemia, a desqualificação do papel político da ex-presidente Dilma Rousseff nas eleições de 2022 e as manifestações em defesa dos irmãos Brazão no caso do assassinato da vereadora Marielle Franco.

A juventude petista demonstra não tolerar desvios dos princípios do partido. Para eles, o PT não é terra de ninguém, mas uma organização coletiva com regras e um projeto de transformação social que não pode ser relativizado.

A defesa de Quaquá

Procurado pela Folha de S. Paulo, Quaquá, através de sua assessoria, reagiu às críticas com um contra-ataque, questionando o perfil dos autores da moção. Afirmou que o PT não pode ser capturado por uma “juventude de classe média alta, universitária, que não vive a realidade do povo e idealiza a bandidagem”. Em nota, acrescentou que os jovens, principalmente os pretos e pobres das favelas, são as maiores vítimas da violência no Brasil, e que causa espanto que quem os representa no PT queira puni-lo por se posicionar contra bandidos que causam morte e dor nas comunidades.