Justiça concede prisão domiciliar a gerente financeira do PCC

 Em uma decisão que equilibra justiça e considerações humanitárias, a 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital de São Paulo concedeu prisão domiciliar a Karen, apontada como gerente financeira de uma facção criminosa. A decisão, embora permita que Karen deixe o presídio, a mantém sob rigorosas medidas cautelares, incluindo monitoramento eletrônico e restrições de horários.A permissão judicial veio após a defesa de Karen… 

Em uma decisão que equilibra justiça e considerações humanitárias, a 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital de São Paulo concedeu prisão domiciliar a Karen, apontada como gerente financeira de uma facção criminosa. A decisão, embora permita que Karen deixe o presídio, a mantém sob rigorosas medidas cautelares, incluindo monitoramento eletrônico e restrições de horários.

A permissão judicial veio após a defesa de Karen argumentar questões humanitárias e familiares. A principal alegação foi a necessidade de preservar a convivência do filho menor com a avó durante as férias escolares e festas de fim de ano. Além disso, a defesa ressaltou a idade avançada da mãe de Karen, que a impossibilitava de realizar visitas frequentes à penitenciária em São Paulo.

Karen está sob monitoramento desde 8 de fevereiro de 2024, quando foi detida na zona leste de São Paulo. As investigações apontam que, após a morte de seu marido, Wagner Ferreira da Silva, conhecido como Cabelo Duro e antigo líder da facção no litoral, assassinado em 2018, ela teria assumido parte da gestão financeira do grupo criminoso.

Durante a prisão, as autoridades apreenderam mais de R$ 1 milhão em dinheiro e cerca de US$ 50 mil. Segundo os investigadores, esses valores estariam intrinsecamente ligados a um intrincado esquema de ocultação e dissimulação de recursos provenientes do tráfico de drogas.

Investigação e Atuação

A Polícia Civil sustenta que Karen mantinha uma atuação abrangente em diversos municípios do litoral paulista, incluindo Santos, Cubatão e Guarujá, além da capital. Para conferir uma aparência de legalidade ao dinheiro da facção, ela supostamente utilizava estabelecimentos do setor de beleza, investimentos imobiliários e uma empresa registrada em nome de seu irmão. O pai de Karen também figura como suspeito de envolvimento no esquema.

A investigação que culminou na prisão e, agora, na concessão da prisão domiciliar, teve início em junho de 2023, após a identificação de movimentações financeiras atípicas em Praia Grande. A análise minuciosa desses dados conduziu os investigadores até Karen.

De acordo com o delegado Artur Dian, responsável pelo caso, o rastreamento das operações bancárias foi crucial para o avanço da investigação.

Os relatórios de informações financeiras obtidos pela Polícia Civil indicam que a suspeita movimentava milhões de reais da facção para ocultar a origem do dinheiro oriundo do tráfico de drogas” – afirmou o delegado Artur Dian.

A decisão judicial, portanto, representa um ponto de equilíbrio entre as necessidades da investigação criminal e as considerações humanitárias, mantendo a acusada sob vigilância constante, mas permitindo que ela esteja mais próxima de sua família em um período sensível.